2006-02-25

Era uma vez...

Quando adolescente conheci e quis as mulheres do mundo,
Todas de uma vez...
Quando adulto, aprendi a amá-las e passei a desejá-las,
Uma de cada vez...

E vivi um amor jovem, forte e ingênuo que encerrou minha adolescência,
Foi a primeira vez...
E a vi partir para longe após um sôfrego beijo,
Foi nossa última vez...

Eu me entreguei ao trabalho, à farra e à diversão,
Tudo de uma vez...
E curti mulheres interessantes desinteressadamente,
Pensando na próxima vez...

Foi longe daqui que conheci meu amor mais intenso,
Lá vamos nós outra vez!
Foram momentos lindos e poéticos que deixaram saudades,
Ainda busco a próxima vez...

Mas esta não teve escolha exceto ir embora,
Não foi a primeira vez...
O vazio que deixou ainda não foi preenchido,
Como da última vez...

Mas então minha maior aventura começou,
Doce como minha primeira vez...
"Papaíí" o pequeno disse,
E nunca mais outra vez.

Mas a Vida falou mais alto,
Como faz sempre que é sua vez...
E paguei caro pelos meus erros,
Esta era a minha vez.

E desde então magoei quem amava...
E desde então fui magoado por quem amava.

Foi quando deixei que meus medos prevalescessem;
Foi quando alimentei meus medos para que prevalescessem.

Mas o amor tudo vence, inclusive os medos.
Mas os medos tudo distorcem, inclusive o amor.

É quando me vejo aturdido entre um choque de gerações...
Isto me aflige como se fosse a última vez!
Sei quem amo, mas não sei como amar,
Como na primeira vez...

Sou Homem, mas também Criança...
Terei que crescer outra vez?
Sou sábio, mas também aprendiz...
Quem me ensinará desta vez?

Sei que quero, mas nem sempre consigo.
Sei que posso, mas nem sempre alcanço.
Meu maior presente é meu esforço,
Mas admito que não é o bastante...

Me ajuda, me diz o que queres...
Eu sou tapado, não compreendo teus sinais!
Eu preciso de palavras, de afirmações, de segurança...
Às vezes eu preciso que me digas o que queres de mim!

Me ensina... Me instrui... Me orienta...
Eu sou poeta, mas não aprendi a te amar!
Eu quero acertar desta vez...

2006-02-24

Insônia

Bleh... Tem dias que nem eu me suporto, o que dirá dos outros...


Sim, meu guri já voltou pra casa da mãe...

2006-02-08

Vida de Pai Solteiro

Tô de filho por duas semanas, e as aula do guri já começaram.

Acordo às 6:00, arranco o moleque da cama às 6:10 (ele tem o sono mais pesado que eu!!).

  • 6:20 : Ele lava a cara. Tento enfiar algo na goela do guri (que não come nada pela manhã, tô ficando preocupado), dou o remédio, mando escovar os dentes.
  • 6:25 : O guri se veste enquanto eu lavo a cara, penteio o cabelo e escovo os dentes - tomo o café no trabalho, senão não dá tempo!
  • 6:30 : Penteio o cabelo do moleque, reviso a agenda e escrevo alguma anotação se necessário. Verifico o material escolar, a muda de roupa e coloco o ticket das refeições na agenda.
  • 6:45 : Toco o moleque pro carro. A casa? Do jeito que está, fica.
  • 7:00 : Deixo o guri na escola e vou pro trabalho ficar de bobeira até as 8:00 quando começa o expediente!
  • 8:00 - 18:00 : Faço de conta que trabalho. Tenho fingido direitinho nos últimos 3 anos... X-P
  • 18:00 : Fim de expediente. O guri já está na casa dos meus pais (pago condução de volta), e qualquer coisa que eu precise fazer durante a semana tenho que fazer neste momento: Academia? Mercado? Shopping? É agora ou nunca!
  • 20:30 : Se tudo der certo*, estou passando na casa dos meus pais onde o guri está brincando no computador do tio. Já de banho tomado, de pijama e jantado (thanks, Cris!). Janto qualquer coisa correndo, e se der tempo verifico meus emails no micro do meu irmão.
  • 21:00 : Cato o guri e a pobre da empregada/babá/vigia/bedel/o_escambau e toco o bonde pra Ponta Negra, onde deixo a babá no ponto onde passa um dos poucos ônibus que passam na casa dela ali perto (onde ela prefere que eu não vá, porque senão não acho o caminho de volta - o pior é que ela tem razão!). Se o guri não cair dormindo, pergunto como foi o dia, o que ele aprendeu, se tem tarefa de casa, etc. etc. etc.
  • 21:45 : Tô chegando em casa (finalmente!). Carrego bolsas, mochilas, filho, a sacola de roupa suja e o cesto de roupa limpa dois lances de escada acima. O guri normalmente está dormindo, mas acorda instantaneamente no exato momento em que toca a cama (Murphy era um Profeta!). Converso com o pequeno salafrário, que normalmente esqueceu alguma coisa no colégio : a agenda, o remédio, a mochila de roupa suja, whatever. Apronto a mochila para o dia seguinte, junto a roupa suja do dia e finalmente vou pro banho e demais formalidades higiênicas noturnas.
  • 21:55 : Dou o remédio pro guri, ele escova os dentes.
  • 22:00 : Moleque na cama, eu idem. Somos dois insones: ele lê a minha coleção de quadrinhos da Disney (O Melhor da Disney - As Obras Completas de Carl Barks, imperdível!!) e eu - pra variar - lendo Nietzsche ou Schopenhauer (bossal? eu??? :-P)
  • 22:15 : "Pai, quero ir no banheiro". - "Vai, meu fiho".
  • 22:30 : "Paiê, tô com sede". E lá vou eu pegar água pro moleque.
  • 23:00 : "Filho, tá na hora de dormir".
  • 23:05 : "Pai, não tô com sono."
  • 23:10 : "Filho, tá na hora de dormir".
  • 23:15 : "Pai, não tô com sono."
  • 23:20 : "Filho, tá na hora de dormir".
  • 23:25 : "Pai, não tô com sono."
  • 23:30 : "Filho, tá na hora de dormir".
  • 23:35 : "Pai, não tô com sono."
  • 23:40 : "Boa noite, filho." E eu desligo o abajur.
  • 23:45 : "Pai, quero ir no banheiro". (sigh) E eu ligo o abajur.
  • 23:55 : "Paiê, tô com sede". - "AAAAAAAARRRRRRRGH!!!"

E então o despertador toca e começa tudo de novo.


Morar sozinho já é difícil (pelo menos pra mim...). Morar "sozinho" com filho é ainda mais.

Mas vale a pena! :-)


* Quando não dá certo, acrescentar 20 minutos deste ponto em diante. Interessante notar que quase nunca dá certo! :-P