2005-03-26

Marcas do que se foi, Sonhos que vamos ter

Num post não muito distante, fui questionado se eu não estaria indeciso sobre alguns aspectos da minha vida íntima: se não me faltaria coragem para assumir de vez o que eu quero.


Eu não estou indeciso, nem me falta coragem. :-)

Mas sim, falta alguma coisa...

Talvez me falte um pouco de tolerância, mas isto é papo pra outro post.


Também fui questionado se minhas "ex" são realmente minhas "ex"... ;-)

Bom... Elas são e não são "ex"... Sob um certo sentido, devo ser um dos polígamos X-P de maior sucesso no mundo : quardo todas elas no coração, com saudades e desejos de felicidade (e ainda sou correspondido!! uhuu!!). Me correspondo (ou converso) com as que mais me marcaram (e, portanto, não consigo me desligar) já fazem anos...

E a verdade é que sinto saudades de todas elas. Mas sei que elas são passado, estamos todos tocando a vida pra frente (casamento, filhos, faculdade... a vida não pára) - não alimento fantasias de déjà-vu.

O medo de que falo não envolve "apenas" mulheres, mas também outros aspectos não tão românticos da minha vida - trabalho, filhos, estudos, bem-estar...

Tais escolhas não são tão simples quanto "ficar com fulana ou ficar com beltrana", ou "eu devo ou não devo a aceitar aquela proposta de emprego". Algumas escolhas são do tipo:

  • "o meu guri vai se sentir bem saindo comigo e a eleita" ou...
  • "a namorada vai ter saco de 'perder' 2 fins de semana por mês com programas infantis" ou...
  • "como fica minha relação pai/filho se eu for trabalhar em outra cidade ou estado"...
  • Ou então, tudo ao mesmo tempo e agora...

Férias, escola, feriados, Natal, ex-esposa precisando de ajuda, pensões, problemas trabalhistas, problemas familiares, obrigações domésticas...

Tudo influencia, tudo atrapalha, tudo ajuda.


O Universo conspira...

2005-03-22

Labirinto

Recebi este pensamento à pouco:

"A vida não é um corredor reto e tranquilo que nós percorremos livres e sem empecilhos, mas um labirinto de passagens, pelas quais nós devemos procurar nosso caminho, perdidos e confusos, de vez em quando presos em um beco sem saída.

Porém, se tivermos fé, uma porta sempre será aberta para nós, não talvez aquela sobre a qual nós mesmos nunca pensamos, mas aquela que definitivamente se revelará boa para nós"

As vezes eu me vejo numa daquelas Casas do Espelho (faz tempo que não entro num lugar destes - da última vez eu ainda era moleque, lá no PlayCenter de Sampa). É um labirinto formado por espelhos e placas de vidro, um lugar bem confuso.

É confuso porque de vez em quando você vê para onde quer ir (ou com quem você quer estar), mas simplesmente não sabe como chegar até lá:

  • aquilo pode ser um espelho, e o que (ou quem) você quer está atrás (ou à sua direita! ou à sua esquerda!)
  • ou está realmente à sua frente, mas entre vocês existe uma placa de vidro - e você se esborracha nela ao tentar alcançar
  • pode não ter nada no caminho, mas você já se esborrachou tanto numa placa de vidro que você não acredita e continuam seu caminho.

Eu não gostei muito... Ter o que desejo ao alcançe dos olhos, mas estar impedido de alcançar com as mãos é algo que me deixava um bocado frustrado quando moleque.

Ainda deixa.


Com o passar do tempo o acúmulo de experiências vai transformando a sua forma de ver o mundo, e o que era antes um labirinto opaco vai se tornando transparente - não há nada novo debaixo do Sol.

Você aprende a enxergar "através das paredes" - ou de pelo menos algumas delas. E a cada dia que passa, outra parede perde sua opacidade.

Mas ainda é um labirinto.

2005-03-16

Carlos Drummond de Andrade

Hoje falo de poesia.

Poesia que fala da vida, de amor e de renúncias. E de escolhas que deixam cicatrizes eternas.

Hoje falo do Poeta Maior, Carlos Drummond de Andrade.

(...) Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.

Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.

(...) E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.
Resíduo

Li meus primeiros versos ainda aborrescente - indolente e reticente - pouco antes da morte do Poeta (que ocorreu poucos meses depois do dia em que eu quase retornei à eternidade - o que me marcou ainda mais).

Gostava do que o cara escrevia: eu curtia o ritmo das palavras e eventualmente me estarrecia com o teor - mas raramente eu pude dizer que realmente compreendia o que lia.

Abriu-se majestosa e circunspecta,
sem emitir um som que fosse impuro
nem um clarão maior que o tolerável

pelas pupilas gastas na inspeção
contínua e dolorosa do deserto,
e pela mente exausta de mentar

toda uma realidade que transcende
a própria imagem sua debuxada
no rosto do mistério, nos abismos.

Abriu-se em calma pura, e convidando
quantos sentidos e intuições restavam
a quem de os ter usado os já perdera

e nem desejaria recobrá-los,
se em vão e para sempre repetimos
os mesmos sem roteiro tristes périplos,

convidando-os a todos, em coorte,
a se aplicarem sobre o pasto inédito
da natureza mítica das coisas

(...)

baixei os olhos, incurioso, lasso,
desdenhando colher a coisa oferta
que se abria gratuita a meu engenho.

A treva mais estrita já pousara
sobre a estrada de Minas, pedregosa,
e a máquina do mundo, repelida,

se foi miudamente recompondo,
enquanto eu, avaliando o que perdera,
seguia vagaroso, de mãos pensas.
A Máquina do Mundo

Mas apesar da vida, vivi. E ainda vivo. E creio ter vivido algumas das coisas vividas pelo Poeta, porque hoje eu compreendo melhor a dor, a alegria, a dúvida ou mesmo o simples constatação de existir que permeia sua obra. Compreensão esta que veio...

  • quando me impus a renunciar àquelas que me foram queridas;
  • ou quando duvidei daquelas a quem eu era querido...
  • com as alegrias com que o mundo me surpreendeu (e que, normalmente, vêm de onde menos se espera!!);
  • ou das tristezas que me surpreendem no mundo (e que também vêm de onde menos se espera).
  • da constatação de que vivo, e que meu viver afeta a vivência de outros de formas que eu não prevejo;
  • ou da forma que a vivência de outras vidas afetam a minha de forma ainda mais imprevisível.
  • das lembranças das mulheres que deixei para trás;
  • ou das que me deixaram enquanto seguiam à frente.

(E apesar do que vivi, vivo.)

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teu ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
Os Ombros Suportam o Mundo

Chega num ponto em que vida se repete de uma forma amargamente previsível. Mudam os nomes, mudam as ferramentas, mas os artefatos e as artimanhas são sempre as mesmas.


As pessoas vêm e vão, mas a dor que causam fica.

E pessoas que tú amas te magoam de forma profunda, e então tú magoas profundamente pessoas que te amam. Tú fazes escolhas das quais te arrepende; mas te arrepende ainda mais de escolhas que não fizeste.

Então, contrafeito, reconheces pessoas que amaste ou que odiaste (ou que amaste e odiaste!) nas faces e gestos de outras. E o que seria deliciosa novidade traveste-se de amarga lembrança.

É quando o medo de perder o pouco que conquistaste te impede de conquistar ainda mais.

É quando choras choro amargo e arrependido.

(E, talvez graças ao que chorei, vivo.)

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, - e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse....
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?
José

"Não pense que a cabeça aguenta se você parar", aconselhou o mestre. Quando não se sabe para onde se quer ir, todas as estradas servem.

(E então vivo, sem saber para onde ir.)

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.
No Meio do Caminho

São muitas as pedras em meu caminho. Incomoda, dói, machuca. Mas algumas escondem tesouros...

Não lembro quem disse que a Humanindade, aqui e acolá, eventualmente tropeça na solução de seus problemas... Mas levanta, sacode a poeira e continua em frente - suprema ironia!

Às vezes eu olho para trás, e fico imaginando se não deixei escapar a minha pedra...

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus,
pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus,
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo
Poema das Sete Faces

Vinho também funciona!!! :-)

Deus me deu um amor no tempo de madureza,
quando os frutos ou não são colhidos ou sabem a verme.
Deus - ou foi talvez o Diabo - deu-me este amor maduro,
e a um e outro agradeço, pois que tenho um amor.

Pois que tenho um amor, volto aos mitos pretéritos
e outros acrescento aos que amor já criou.
Eis que eu mesmo me torno o mito mais radioso
e talhado em penumbra sou e não sou, mas sou.

Mas sou cada vez mais, eu que não me sabia
e cansado de mim julgava que era o mundo
um vácuo atormentado, um sistema de erros.
Amanhecem de novo as antigas manhãs
que não vivi jamais, pois jamais me sorriram.

Mas me sorriam sempre atrás de tua sombra
imensa e contraída como letra no muro
e só hoje presente.
Deus me deu um amor porque o mereci.
De tantos que já tive ou tiveram em mim,
o sumo se espremeu para fazer um vinho
ou foi sangue, talvez, que se armou em coágulo.

E o tempo que levou uma rosa indecisa
a tirar sua cor dessas chamas extintas
era o tempo rriais justo. Era tempo de terra.
Onde não há jardim, as flores nascem de um
secreto investimento em formas improváveis.

Hoje tenho um amor e me faço espaçoso
para arrecadar as alfaias de muitos
amantes desgovernados, no mundo, ou triunfantes
e ao vê-los amorosos e transidos em torno,
o sagrado terror converto em jubilação.

Seu grão de angústia amor já me oferece
na mão esquerda. Enquanto a outra acaricia
os cabelos e a voz e o passo e a arquitetura
e o mistério que além faz os seres preciosos
à visáo extasiada.

Mas, porque me tocou um amor crepuscular,
há que amar diferente. De uma grave paciência
ladrilhar minhas mãos. E talvez a ironia
tenha dilacerado a melhor doação.
Há que amar e calar.
Para fora do tempo arrasto meus despojos
e estou vivo na luz que baixa e me confunde.
Campo de Flores

Sou fã incondicional de Mestre Drummond.

Sou fã incondicional de Mestre Drummond porque sua poesia, que fala do que foi seu passado e do que era seu presente, também fala de meu passado e de meu presente.

Sou fã incondicional de Mestre Drummond porque anseio que sua poesia fale também do meu futuro.


"O amor é grande e cabe nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar."

Carlos Drummond de Andrade

Não lembro onde li que Mestre Drummond foi um homem amoroso, fiel e dedicado à somente duas mulheres em vida: sua esposa e sua amante.

É preciso ser muito homem pra dedicar sua vida à duas mulheres - eu penso que o coração de Drummond era tão vasto que foram necessárias duas almas para preenchê-lo. Simultaneamente...


"Há vários motivos para não se amar uma pessoa e um só para amá-la."
Carlos Drummond de Andrade

Ainda estou à procura de alguém que me oferte este motivo (ofereço aqueles vários em troca). Não é tão fácil quanto pensava aquele já distante aborrescente (indolente e reticente), mas Drummond conseguiu não apenas uma, mas duas vezes...

Sou fã incondicional de Mestre Drummond.

2005-03-14

Dia Internacional da Mulher : igualdade entre os sexos?

Eu estava tão absorto com meus próprios problemas no último dia 8 (que por sinal, continuaram a me perseguir até este sábado) que só consegui tempo para escrever este post agora.

Com certeza vou comprar briga com algumas pessoas, mas fazer o quê? O "gênio saiu da lâmpada", escrever virou necessidade... :-)


Ouvi algumas reclamações femininas neste último Dia Internacional das Mulheres.

Uma simplesmente não agüentava mais receber emails melosos sobre o assunto (né Gretchen???), enquanto outras lembravam que as mulheres ainda ganham menos que os homens que exercem o mesmo cargo. Ouvi queixas de que as mulheres não são tratadas da mesma forma que os homens no trabalho e no lar. Li questionamentos sobre o (sobrecarregado) papel exercido pela mulher nestes dias modernos. Assisti à reportagens sobre conquistas femininas nos últimos tempos.

Mas as queixas não cessam. Parece-me que quanto mais as mulheres se igualam aos homens na vida cotidiana, mais reclamações, queixas, questionamentos e reportagens sobre as últimas conquistas bombardeiam meus olhos e ouvidos.

Por quê?


Eu vejo um problema insolúvel neste papo de igualdade dos sexos : homens e mulheres são diferentes, não há o que fazer sobre isto!

Mulheres são fisiologicamente diferentes dos homens, e portanto possuem necessidades especiais. Elas engravidam, menstruam, sofrem choques hormonais durante a TPM. Estas diferenças ("diferenças", ligou, ligou, ligou??) precisam ser levadas em consideração na nossa vida cotidiana ou, em outras palavras, precisamos tratar as mulheres de forma diferenciada. Simples assim... Do contrário, perpetuaremos situações desagradáveis como a que minha ex-mulher passou quando precisou ir ao mercado quando estava grávida de nosso filho : foi necessário chamar a segurança para que ela fosse atendida com prioridade no caixa, porque as outras pessoas da fila não queriam deixá-la passar à frente.

"Igualdade de direitos", gritam os homens da fila. "Igualdade de direitos" gritam as mulheres fora da fila.

"Olho por olho, e o mundo acabará cego" sussurrou Gandhi.


Também há problemas nas empresas.

Salários inferiores, contratação seletiva, "proibições" de engravidar (dadas por chefes mulheres e por chefes homens - há igualdade neste quesito...).

Existem custos (ou riscos de custos) ao se empregar uma mulher que não ocorrem ao se contratar um homem, entre eles os 4 meses de descanso que a lei garante às novas mamães.

Se é justo ou não (eu considero injusto - deveriam ser 6 meses!!!), o fato é que a empresa vai pagar o salário da mamãe (recolhendo todos os impostos!!) e ainda pagar outra pessoa (seja como empregado temporário, seja como hora extra para os colegas de trabalho) para repôr as horas/pessoa que a mamãe deixará de trabalhar - se ela não fizesse falta no trabalho, não estaria empregada.

Quem arca com estes custos hoje? A resposta é clara : as mulheres.


Também há problemas no Estado Civil.

O busca (cega) pela igualdade entre os sexos gerou cancros em nossa legislação e, tão ruim quanto, na percepção que os cidadãos possuem sobre a legislação que demorarão anos (talvez gerações) para serem corrigidos - o que, por ironia, perpetuará a própria desigualdade:

  • Embora existam estudos estatísticos que afirmem que na violência familiar moderna as mulheres são estatisticamente tão violentas quanto os homens (em outras palavras, cerca de 50% dos homens são tão vítimas de violência doméstica quanto as mulheres dos outros 50%), nas delegacias os homens são considerados culpados até que provem sua inocência.
  • Se uma mulher é vítima de abuso sexual, o acusado enfrenta júri sob a acusação de um crime grave: estupro. Se a vítima é um homem, o acusado será julgado sob uma acusação de um crime menor, atentado violento ao pudor.
  • Ainda são raros os casos em que o pai fica com a guarda da criança durante um divórcio.

Eu reconheco que num passado recente os direitos das mulheres foram sistematicamente violados.

Mas eu não estava lá. Não fui eu quem cometeu tais violações. Por que devo ser tratado como se lá estivesse, como se eu tivesse alguma responsabilidade nestes erros que foram cometidos no passado?


E os conflitos invadem os lares.

Mas quem sou eu para dar pitaco no lar dos outros? Já bastam os pitacos que deram no meu.

Quer saber? Se o cara é preguiçoso, indolente ou machista... DIVORCIE-SE. Ponto.


E nem a Religião e o Código Penal escapam...

Acabo de ler na Veja da semana (N. 1.896, 16/Mar/2005) na coluna do André Petry (pag 93):

Finalmente o Brasil começa a dar sinais de entender que o aborto integra a lista de direitos inalienáveis da mulher - de seus direitos reprodutivos, de seus direitos sexuais, de seus direitos sobre o próprio corpo. Duas decisões fortalecem esta impressão. A primeira [...] o Conselho Nacional de Saúde [...] decidiu a favor do direito da mulher de abortar quando grávida de um feto sem cérebro [...]. A outra decisão veio na forma de uma norma do Ministério da Saúde [...] : mulheres grávidas de estupro agora podem abortar nos hospitais públicos sem apresentar boletim de ocorrência da polícia.

A Igreja Católica ficou fula da vida porque acha que isto levará à casos de abuso, onde mulheres que não foram vítimas de estupro procuram os serviços públicos para "se livrarem do problema". Provavelmente a Igreja Católica tem razão, mas este não é o cerne da questão - precisamos sempre lembrar-nos de que existe o princípio da inocência e que não existe crime presumido.

O que me deixou intrigado foi a afirmação do comentarista de que esta segunda decisão "Revela o devido respeito à mulher, na medida em que dá à sua palavra a mesma importância dada a um boletim burocrático, e sobretudo retira da órbita policial uma questão de saúde física e psicológica".

Deixa eu ver se entendi: para o crime de estupro, não é necessário que uma cidadã faça Boletim de Ocorrência na Polícia: basta a sua palavra (precisamos respeitar as mulheres, afinal de contas). Mas se for qualquer outro crime, a cidadã (ou cidadão) só poderá reinvindicar seus direitos após ter feito o B.O. (e posterior acareação e julgamento por autoridades competentes).

Assassínios* também são uma questão de saúde física (principalmente para a vítima) e psicológica (principalmente para os parentes da vítima). Que tal darmos a mesma importância de um "boletim burocrático" à palavra da viúva que requer o pagamento do seguro de vida de seu marido policial morto no cumprimento do dever?

Vejam, eu não sou contra o aborto de gravidez decorrida de estupro.

Não vou me meter nesta disputa de direito ao corpo, etc, mas um aborto é sim uma forma de assassinato. Tal qual assassinatos, podem ser justificados (existem razões legais que autorizam um ser humano à tirar a vida de outro).

Mas não precisa ser fácil. A pequena criaturinha que nasceria, tanto quanto a mulher, é uma inocente vítima do crime cometido.

Eu acho uma aberração legal retirar a necessidade de um Boletim de Ocorrência numa sociedade que criou a Delegacia da Mulher - entidade policial que procura, justamente, suprir a necessidade especial que as mulheres vítimas de determinados crimes têm.

*também li a coluna do Millor, na mesma revista - quem quiser entender a ironia, leia na página 35


As diferenças entre homens e mulheres precisam ser equalizadas com justiça (e bom senso!!), e os custos que tais diferenças acarretam devem ser corretamente divididos entre todos os membros da sociedade (homens inclusive- é também nosso interesse que nossas esposas ganhem melhor ao mesmo tempo tenham seus direitos femininos reconhecidos), e não somente entre a mão-de-obra feminina que é como ocorre hoje.

Em paralelo, garantir a isonomia dos direitos entre homens e mulheres onde aplicável também deveria ser uma meta perseguida com igual ardor - não há igualdade possível num estado de direito que vê homens e mulheres como cidadãos de diferentes categorias.

A igualdade entre os sexos é um mito pernicioso que deve ser esquecido. Se levada à cabo, esta fantasiosa igualdade terminará por trocar uma injustiça por outra talvez pior.

A verdadeira luta deveria ser pelo reconhecimento e pelo respeito mútuo pelas diferenças que existem entre homens e mulheres. E que os inevitáveis custos sociais demandados por estas diferenças sejam divididos proporcionalmente por toda a sociedade.


Por toda a Sociedade.

Um dia, meu filho escolherá uma mulher para ser sua companheira e (quiçá) mãe de seus filhos. Eu não quero que ele passe pelo que eu passei, eu não quero que cobrem dele os erros que ele não cometeu.

Contadores

Tô dando uma pesquisada sobre contadores de hits. Eu estou usando até o momento o FreeCounter, e adicionei hoje o Site Meter. Também estou dando uma olhada no BraveNet.

Quais mais existem? Sou Editor de um outro site, e ele está precisando urgentemente de um bom contador de visitas (inclusive com estatísticas de acesso). Quais vcs recomendam?

2005-03-08

E tá ficando pior.


WorstDay Originally uploaded by Lisias.

Nada está tão ruim que não possa piorar, né?

Quero ir logo pra casa.


Minha casa é meu reino, onde tenho meu castelo e um trono só pra mim.... :-)

.

Um dia péssimo


BadDay Originally uploaded by Lisias.

Sabe aqueles dias em que tudo o que pode dar errado, dá?


Meu dia tá uma merda!

2005-03-06

Aurora da minha Vida

Parece que tá todo mundo lembrando da infância ultimamente... :-) Bom, aqui vou eu com as minhas lembranças!!


Não existe nada mais antigo,
do que cáuboi que dá cem tiros de uma vez!
A vó da gente deve ter saudades do "ZING" "POW",
do cinto de inutilidades!!

No nosso mundo tudo é novo e colorido,
Não tem lugar para essa gente que já era
Morcego velho, bang bang de mentira, vocês já eram!
O nosso papo é alegria!

(Paulo e Marcos Sérgio Valle)

E aí? Quem mais ouvia esta musiquinha todos os dias antes de ir pra escola? ;-)

Histórias de Busão

Domingão, sem nada pra fazer exceto limpar a casa (que vai continuar suja mais uma semana... hehe), resolvi botar os blogs em dia. Daí topei com este (re)post da Theya e me lembrei de uma época em que eu também andava de Mercedão com motorista particular (junto com mais uns 50 cidadãos)...

Este é apenas um dos causos desta época.


Quando eu tinha 16 anos (sem piadinhas!!! hehe), fiquei de recuperação (de novo). Como "castigo", voltava pra casa de busão - e acreditem em mim, era um puta castigo... :-P

Naquela época só existiam 2 linhas que faziam o trajeto D.Pedro (tbm estudei no La Salle - fui aluno fundador daquele treco) - V-8 : O InterBairros 1 e o InterBairros 2.

Um belo dia, já de saco cheio de esperar pelo (sempre atrasado) InterBairros 1, notei que o 2 (que passava do outro lado da rua, fazendo o sentido inverso) já tinha passado duas vezes. Na terceira, não tive dúvidas: Peguei o trem... digo... o busão. "É tudo InterBairros", pensei...

Bom, errado eu não estava... Mas o diabo do InterBairros 2 fazia jus ao nome que tinha. Durante 3 horas ou 4 horas, conheci cada maldito bairro desta cidade (Manaus ainda tinha menos de um milhão em 1986): Compensa, Alvorada, Sta Etelvina, São Francisco, Japiim, Coroado... Putz!! O único lugar que não passei por foi o Centro... :-D

Cheguei em casa à tempo de pegar a Janta....