2005-01-31

Desabafo...

Por quê que tudo o que eu gosto é ilegal, é imoral ou engorda?
E se não for nenhum dos três, então é caro pra cacete???

2005-01-30

A prima-irmã do Tempo

Finalmente tive cabeça para voltar a pensar na minha vida - é mais fácil "resolver" os problemas dos outros, sabiam? :-) - e resolvi ouvir um pouco de MPB. Por segurança, evitei Vinícius de Moares (sim! sou fã do cara!) e resolvi botar algo mais "seguro" no som.

Ledo engano... :-)


A Solidão é Fera
Alceu Valença.

A solidão é fera, a solidão devora
É amiga das horas, prima-irmã do tempo
E faz nossos relógios caminharem lentos
Causando um descompasso no meu coração

A solidão dos astros
A solidão da lua
A solidão da noite
A solidão da rua


Não que eu esteja sozinho, apenas não me sinto 100% acompanhado : o que pelo menos me dá a sensação de não estar totalmente desacompanhado - o que talvez, no fundo, signifique que estou sozinho afinal de contas. O que é a realidade senão fruto das minhas percepções?


Percebo-te, logo existes (ao menos para mim)...

Tenho a sensação estranha de ter quem eu quero ao alcançe de meus braços, mas fora de meu alcance...

Confuso?? Você pode apostar seu mouse que é... :-P


E eu nem ouvi Vinícius.... :-D

p.s.: Legião Urbana também não se revelou uma boa opção neste momento... O:-)

2005-01-28

A Mediocridade também assola o primeiro mundo

Lynx screenshot.

Esta foi de doer.

Que as pessoas "normais" não saibam da existência de browsers alternativos, eu considero normal. Como consumidor de automóveis, não conheço cada bendito modelo existente no mundo.

Mas que um operador de um site não saiba diferençiar um acesso legítimo de um especialista em informática (não é qualquer um que navega usando Lynx sobre Solaris) de um criminoso digital, é algo que eu simplesmente não aceito.

Não vou duplicar conteúdo. Se você ficou curioso, clique aqui e leia o artigo na pontoBR, ou na slashdot.

Oração dos Estressados

Para aquelas semanas em que a vida não está muito... satisfatória... :-)


Senhor,

dê-me serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar, coragem para mudar as coisas que não posso aceitar e sabedoria para esconder os corpos daquelas pessoas que eu tiver que matar por estarem me enchendo o saco.

Me ajude, também, a ser cuidadoso com os calos em que piso hoje, pois eles podem estar diretamente conectados aos sacos que terei que puxar amanhã.

Ajude-me, sempre, a dar 100% de mim no meu trabalho: 12% na segunda-feira, 23% na terça-feira, 40% na quarta-feira, 20% na quinta-feira e 5% na sexta-feira.

E... Ajude-me sempre a lembrar, quando estiver tendo um dia realmente ruim e todos parecerem estar me enchendo o saco, que são necessários 42 músculos para socar alguém e apenas 4 para estender meu dedo médio e mandá-lo para aquele lugar...

Que assim seja!!!

Amém.

2005-01-23

A Face da Bota

Georges Well, em seu romance de ficção científica (ou nem tanto) "1984", descreveu um mundo onde a presença do Grande Irmão controlava a tudo e a todos, esmagando - lenta mas persistentemente - toda forma de individualidade e individualismo.

É óbvio que ainda não chegamos à este estágio de controle estatal sobre nossas vidas - com a benção de Deus - uma vez que ainda há pessoas na face deste planeta que honram os polegares opostos que têm (mas me parece que há cada vez menos). Mas o processo continua, seja em prol do combate ao terrorismo (supremo cinismo : "no blood for oil", eles dizem...) seja em prol das comodidades da vida moderna. E é esta última a que mais me preocupa.

Me preoupa por cada vez mais nos expomos eletronicamente, constantemente alimentando e retroalimentando nossos alter egos digitais com informações que - efetivamente - nos descrevem, nos representam, nos precedem e até mesmo - Ó Deus - nos definem.


Esta exposição, é óbvio, não é maligna por si mesma. Contudo não é intrinsicamente benigna...


Porque nos expomos muito mais que nossos pais, somos muito mais julgados hoje que antes. Somos julgados não apenas por nossos conhecidos, semelhantes ou parentes - mas por simplemente qualquer indivíduo que tenha acesso aos nossos alter egos digitais. E isso é muita, mas muita gente. Mais do que considero saudável.

E porque somos julgados amiúde, e o fruto deste "julgamento virtual" fatalmente nos afeta na "Real Life", é evidente que normalmente nosso alter ego digital não corresponde exatamente ao que somos na realidade - mas sim à versões censuradas de nós mesmos para satisfazer ao que acreditamos que seja "aceitável" para a maior quantidade de gente possível. Fatalmente, acabamos por sermos tolhidos em nossa liberdade de exercermos nossa individualidade digital pelo medo que temos das conseqüências dos julgamentos de gente que nem sabemos (ainda) quem são... E sim, estes casos são mais comuns do que parece - tenho visto isto no Orkut (suprema ferramenta de hedonismo digital!!).

Ao mesmo tempo, eis que percebo outro fenômeno que, superficialmente, não possui relações com as idéias acima : as massas estão cada vez mais medíocres. E esta mediocridade está sendo, literalmente, institucionalizada.


Institucionalizada:

  • pela reserva artificial, burra e sem critério de recursos valiosos para minorias (não que eu seja contra quotas, sou contra forma com que elas têm sido aplicadas);
  • pelo culto indiscriminado ao politicamente correto;
  • pela massificação mercantil da cultura - nivelando por baixo o pensamento crítico;
  • pelo crescente menosprezo aos que se destacam da massa de alguma forma... (experimentem tirar 10 dois bimestres seguidos no colegial em matemática)
  • pela indiferença cada vez maior para com nossos semelhantes;
  • pelo patriotismo estúpido, cego, incondicional e mesquinho;
  • pela intolerância cada vez maior para com nossos desiguais.

É agora que começa a minha "viagem" :-P ...

É minha tese que, uma vez que cada vez mais nossas presenças digitais são submetidas ao escrutínio público - e assumindo como axioma que as massas estão cada vez mais medíocres - o resultado final é que, com raríssimas e honrosas exceções, os tais alter egos digitais são apenas uma sombra mediocrizada da real persona. Poucas são os dispostos à correrem o risco de se tornarem personas non grata na vida real como conseqüència do julgamento de nossos equivalentes digitais que, por infelicidade, inflamem a ira mediocrizante e mediocrizada de algum paladino da justiça, dos bons costumes e do temor à Deus nosso Senhor...


Isto já ocorre no nosso cotidiano : olhem ao seu redor (mas não percam de vista a linha do horizonte).


E uma vez que nossos alter egos digitais estão, cada vez mais, nos precendo nas nossas (preciosas, diga-se de passagem) interações sociais, preocupo-me cada vez mais com o tipo de sociedade que me espera no futuro.

As coisas não aconteceram exatamente da forma que Georges Well descreveu, mas aconteceram - e ainda acontecem.


O Grande Irmão somos nós.

"Cuidado com os baobás"...

2005-01-17

Micos Corporativos III

Faz pouco mais de um mês, a rede elétrica das baias aqui do trabalho foram reformuladas. Agora temos 3 tomadas da rede T15, uma da rede T16 e duas da rede T7.3 (na minha baia, a de um colega é T7.5).

Ficamos muito contentes, já que demos fim àquelas réguas de força feitas na China (ou no Inferno, depende de quantas vezes a sua já explodiu).

Hoje, durante a chuva, tivemos uma flutuação braba de energia, e eu fiquei muito contente ao saber que o nobreak da Fundação está funcionando. Fiquei também satisfeito ao constatar que o monitor de vídeo está ligado à tomada do nobreak.


Mas confesso que teria ficado ainda mais satisfeito se o eletricista (que Deus lhe salve de minha ira) tivesse plugado também a CPU na maldita tomada ligada ao no-break!!!!


Descobri da pior maneira possível : as tomadas da série T7 são as que estão ligadas ao imenso nobreak da Fundação.

Malditas segundas-feiras.

2005-01-10

A Face e a Bota

Acabo de ler um post d'O Malfazejo, onde destaca-se a infinita Hipocrisia com que as pessoas encaram a vida, a morte, a necessidade e a fartura. Um autêntico resumo do modus operandi daqueles que detêm, momentaneamente, o Poder secular.

E isto, mais do que apenas hipocrisia, é demonstração clara e inequívoca de Poder. Hipocrisia é Poder.

Não que o Poder venha de graça - as feridas que sua coerção causa provoca ressentimentos que precisam ser controlados sob pena de corroer as bases em que o Poder se sustenta - porque o Poder precisa se sustentar em alguma coisa - e nos dias de hoje esta sustentação é feita pelo que se chama (erroneamente) de Democracia (discutirei isto num futuro próximo).

Mas as feridas cicactrizam; a dor passa... E o Poder novamente age. Sanguinolento, mas legítimo. Legítimo, mesmo que infame.

Legitimado pela massa que sempre credita à uma divindade qualquer suas vitórias, validando espiritualmente suas mais torpes convicções : afinal, se Deus concede a Vitória e a Derrota, e a Derrota é infringida aos ímpios, o vitorioso é virtuoso.


If you want a picture of the future, imagine a boot stamping on a human face - for ever.

G.Orwell - 1984, 1949

A Sandália Cravejada que dominou o mundo na antiguidade modernizou-se, mas as faces... Estas continuam as mesmas. Que me perdoe o Poeta, mas o Futuro ainda é o que era antigamente.

Temo que sempre será.

2005-01-02

Tempo é o fogo em que ardemos.

Meu primeiro post do ano :


Calmly We Walk Through This April's Day


Calmly we walk through this April's day,
Metropolitan poetry here and there,
In the park sit pauper and rentier,
The screaming children, the motor-car
Fugitive about us, running away,
Between the worker and the millionaire
Number provides all distances,
It is Nineteen Thirty-Seven now,
Many great dears are taken away,
What will become of you and me
(This is the school in which we learn...)
Besides the photo and the memory?
(...that time is the fire in which we burn.)
(This is the school in which we learn...)
What is the self amid this blaze?
What am I now that I was then
Which I shall suffer and act again,
The theodicy I wrote in my high school days
Restored all life from infancy,
The children shouting are bright as they run
(This is the school in which they learn . . .)
Ravished entirely in their passing play!
(...that time is the fire in which they burn.)

Avid its rush, that reeling blaze!
Where is my father and Eleanor?
Not where are they now, dead seven years,
But what they were then?
No more? No more?
From Nineteen-Fourteen to the present day,
Bert Spira and Rhoda consume, consume
Not where they are now (where are they now?)
But what they were then, both beautiful;

Each minute bursts in the burning room,
The great globe reels in the solar fire,
Spinning the trivial and unique away.
(How all things flash! How all things flare!)
What am I now that I was then?
May memory restore again and again
The smallest color of the smallest day:
Time is the school in which we learn,
Time is the fire in which we burn.

Cada minuto explode na sala ardente
O grande globo cambaleia no fogo solar
Trivialmente revirando-se, singularmente revirando-se
(Como tudo brilha! Como tudo flameja!)
Que sou eu agora que era ontem?
Possa memória restaurar de novo e de novo
A menor cor do menor dia:
Tempo é a escola em que aprendemos
Tempo é o fogo em que ardemos."

Common baby light my fire... ;-)
This year I'm going to rock... :-)