2004-09-30

Os Dois Dias do Ano

Curto e grosso : meu guri foi hospitalizado ontem.

Tá se recuperando, está se sentindo melhor, etc. etc...

Mas ainda tá lá.

Depois do inevitável sentimento de culpa por achar que poderia ter feito melhor (o que é verdade), e antes de saber que por mais que eu (ou a ex) tivesse feito pelo guri a internação era inevitável (o que também é verdade, agora eu sei), topei com o "manual do usuário" do hospital onde li este pensamento do Dalai Lama :

Só existem dois dias do ano sobre os quais nada pode ser feito.

Um deles se chama ontem e o outro amanhã.

Portanto hoje é o dia certo para você amar, sonhar, ousar, produzir e acima de tudo acreditar ...

Um problema sério de habituar-se a fazer o suficiente ao invés do possível é que quando as coisas dão errado o sentimento de ter falhado por omissão - por mais que não seja o caso - é um pé no saco (não consigo imaginar palavras melhores).

Um problema sério de habituar-se a fazer todo o possível ao invés do suficiente é que você acaba deixando de fazer algumas coisas por ter gasto tempo demais em outras.

Talvez a solução, como prega o Dalai Lama, não seja o quê fazer, nem o quanto. Mas o quando.

2004-09-27

Pérolas do RoadHouse

"Contra burguês, baixe MP3"

Pois é. Tenho um Millôr em potencial trabalhando aqui do lado e não sabia.

Jean, ganhaste um fã. (Vixe! Rimou!).

Agora aproveita a puxada de saco, e atualiza o seu blog... :-D

2004-09-24

Pérola do Millôr

Pois é. Eu sou mesmo fã do Millôr. :-)

Na última Veja, ele me veio com esta:

Depois dos 40 todo homem tem a cara do seu caráter.

Raios. Mes restam apenas 6 anos.... :-P

2004-09-22

Sobre tudo, e sobre nada.

Dias atribulados.

Muita coisa acontecendo do meu lado da RealLife, sufocou a criatividade.


Estranho ter as coisas pululando dentro do cocoruto e não conseguir pôr pra fora - preciso trabalhar isto.


Pensamentos mil explodindo em mil fagulhas, cada fagulha disputando espaço em minha consciência, colidindo umas contra às outras.

Cada colisão, um lampejo. Cada lampejo, um conflito.

Conflito entre o que eu quero e o que querem de mim; Entre o que desejo e o que desejam de mim; Entre o que exijo, e o que exigem de mim...

Dos conflitos, conflaga-se a Guerra.

Guerra Santa. Guerra sem vencedores, onde se luta a Boa Luta - mas dissociada da Boa Causa. Luta-se pela luta. Luta-se sem vontade.


Luto para adiar a minha própria derrota - na esperança de que ela chegue primeiro a meus antagonistas...


Antagonistas que eu amo. Antagonistas que eu odeio. Antagonistas que eu desprezo. Antagonistas que eu ignoro.

Antagonistas que não existem - exceto na minha mente. Como a Luta; como a Guerra; como os conflitos, as colisões e os lampejos.

Mas nem por isto os lampejos deixam de me ofuscar.


My God! It's full of stars....

2004-09-18

At Blog on the Fields of the Lord

Esta merda vicia!!! :-)

Estava eu tranqüilamente deitado em minha cama, ouvindo Emerson, Lake & Palmer e finalmente lendo Contos Inacabados do Tolkien quando uma passagem qualquer do Prefácio (sim, eu sempre leio os prefácios de todos os livros!) fez-me lembrar deste excelente filme - dirigido por Hector Babenco. Existia vida inteligente no cinema brasileiro antes de Central do Brasil. :-)


Parece que o filme só está disponível em VHS, mas sempre podemos recorrer ao livro...

Dá pra ver também o trailer...


Um bando de missionários cristãos norte-americanos (Daryl Hannah entre eles) vêm para a Rain Forest no intuito de fazer o Bem e divulgar a Mensagem de Cristo. Um casal é puritano, bem estilo fundamentalista. O outro, humanista, tenta ser mais coerente e respeitar as diferenças culturais existentes. Ambos fracassam flagorosamente - de uma forma ou de outra, todos foram incapazes de superar seus preconceitos e intolerâncias numa sucessão de eventos que culminaram em tragédias pessoais para todos os envolvidos.

Nesta bagunça, dois aventureiros norte-americanos (um deles um índio pele-vermelha, interpretado por Tom Berenger) se metem em encrencas com as autoridades locais (pois é...) e acabam se enfiando no meio deste imbróglio quando são forçados à dar cabo de uma missão execrável em troca da "solução" de seus problemas.

É importante ver o bendito filme pra entender o que escrevo à seguir... ;-)


Às vezes, eu me sinto como Lewis Moon, pilotanto o monomotor pela imensidão verde rumo àquela explêndida queda d'água (Angel Falls, em Roraima : a maior do mundo!!). Fico imaginando o que passa pela cabeça de um homem que está prestes à se jogar (literalmente) numa civilização extremamente primitiva, mesmo do ponto de vista de um descendente de uma outra civilização primitiva.


Enquanto os índios amazônicos encontram-se ainda na Idade da Pedra, os índios norte-americanos, quando no seu auge, estavam (se não me engano) em algo semelhante à Idade do Ferro.


Fico imaginando o que o levou à bancar Kissumú, o que o fez acreditar que conseguiria tranformar um aglomerado de tribos em uma nação indígena nos moldes dos pele-vermelhas. E reflito sobre a facilidade com que as pessoas, mesmo as altruístas, se deixam levar pelas armadilhas de um Ego Hipertrofiado.

É quando eu me olho no espelho e me pergunto se não estou bancando Lewis Moon, Martin Quarrier, Leslie Huben ou simplesmente o maluco do Wolf.

Sou fã do Padre Silva (ou Xantes, de acordo com o IMDB).

2004-09-17

The Quest for Rest

Para começar o fim de semana : Polyphonic Spree.

Interessante o marketing dos caras : botaram um joguinho na rede onde dão uma amostra do seu trabalho (gostei muito) e indicam a homepage da banda.

Mais interessante ainda é que este pessoal tem uma música na trilha sonora do Eternal Sunshine of the Spotless Mind, o nome da música é Light and Day - na sua RadioPirata! ;-)

Bom, mais um CD para procurar pelas lojas do mundo - e mais uma sangria no meu já abalado salário!!! O:-)

2004-09-16

Tupã está bravo!!

Que fique registrado que hoje, 16 de Setembro de 2004, aproximadamente às 15:10 choveu granizo em Manaus. Há poucos graus da linha do Equador, uma das cidades mais quentes deste país sofreu uma tempestade de granizo respeitável (os granizos tinham de 5 milímetros a quase 1 centímetro!).

Não me lembro de ter acontecido isto aqui antes, e olhem que moro nesta cidade desde 1982 - quando aqui cheguei aos 12 anos de idade.

Entre especulações sobre o Apocalipse, viagens metafísicas sobre a falha da Matrix e o temor pela sobrevivência da lataria da D-20, chego à conclusão de que nada nesta vida é certo; nada nesta vida é imutável... Absolutamente nada.


Nada se perde, tudo se transforma. Lei de Lavoisier aplicada à vida cotidiana.


E enquanto o granizo despencava, eu observava (ou tentava observar) a linha do horizonte: mas nada se via - apenas uma onipresente e fria bruma branca que escondia tudo o que eu conhecia do meu campo de visão. Eu sabia que estava tudo lá, mas por alguns momentos eu tive a sensação de estar, junto com meus chocados colegas de trabalho, numa espécie de Twilight Zone, alguma fronteira absurda onde a metafísica colidia com a física real e palpável.

Surreal é a palavra que descreve como a minha percepção captou os acontecimentos daqueles poucos mas infinitos minutos : deixei meus pensamentos abandonarem a realidade cotidiana para vagarem sem rumo nesta breve surrealidade que se fez.


Myst. Me senti numa das cenas deste fantástico jogo.


E enquanto divagava sobre tudo e sobre nada, completamente absorto naquela surrealidade, vem a chuva que gradativamente sufoca o granizo e dispersa as brumas que nos envolviam.

E a realidade se faz presente na forma de uma caixa d'água, postes e fiação elétrica.


E então voltei ao meu trabalho cotidiano, com a pequena ressalva de que finalmente 10 dias de cabeçadas em C++ renderam frutos e tudo voltou à funcionar como deveria, salvando minha auto-estima e permitindo que finalmente eu começasse a implementar o que realmente interessa.

E cai a ficha: percebi que, depois de um longo e tenebroso inverno, aquela miríade de probleminhas, incertezas e inseguranças decorrentes de uma mudança brusca (e brutal) na minha vida foram ou estão sendo resolvidas.

Tá na hora de correr atrás do que realmente interessa.


Que a chuva caia, como uma luva, um dilúvio, um delírio....
Que a chuva traga alívio imediato.

Talvez Tupã não esteja tão bravo assim... :-)

2004-09-14

Millôr Fernandes de volta à Veja

Ok, isto aqui não é um site de notícias (a pontoBR que o diga, heheh), mas vale a pena comentar que Millôr Fernandes volta à escrever uma coluna na Revista Veja a partir do número 1871, já nas bancas.

O cara tem um humor muito ácido e crítico. Acho que apenas o saudoso Henfil se equipara à ele - mas de forma um pouco diferente : o Millôr é mais escritor, enquanto o Henfil era mais cartunista.

Uma das poucas coisas boas de se ser mais velho é que posso dizer que tanto Henfil quanto o Millôr continuam mais atuais do que nunca.

Um dos problemas de se estar ficando velho é ser obrigado à concordar com o Millôr neste comentário:

E ergo as mãos a Deus por ter sido tantas vezes injustiçado. Meu maior temor em certo momento da nossa história era ser justiçado.

Verdade seja dita : se me fizerem justiça, estou ferrado de pai e mãe... :-D

2004-09-11

Todos temos que aprender um dia...

Bom, finalmente aconteceu. Criei um blog.

Eu costumo "chegar" tarde nestas coisas. Levei 3 ou 4 anos para criar uma homepage (que está sem utilidade à outros 3 ou 4), acho que fui um dos últimos do trabalho a entrar no Orkut, ainda não fiz nada no Multiply e, vejam só, após anos da invenção dos WebLogs resolvi criar o meu.


Estou à semanas com este bendito filme na cabeça (Eternal Sunshine from the Spotless Mind). Apesar de ter rido à beça (aquela cena onde a mãe dele o pega com a "mão na massa"... puuutz), eu saí do cinema muito pensativo. Eu traçei um paralelo do enredo do filme com a minha vida nos últimos 6 ou 7 anos.

Fiquei chocado com o que eu percebi : Por um motivo ou outro, eu acabei "apagando" da minha memória traços de minha própria personalidade (parece que sou eu a pessoa que quero esquecer!!). Esqueci decisões, atitudes, pensamentos, burradas, acertos... Enfim, coisas que vivi.

Me parece que foi mais fácil viver apenas como um subconjunto de mim mesmo durante alguns anos de minha vida. Eu não estava preparado para a transição entre joven adulto e adulto maduro. Como se juventude não fosse sobretudo um estado de espírito, e maturidade pudesse ser adquirida apenas com o passar do tempo.

Como fui precipitado...


Acontece que a "memória voltou". Traços de minha personalidade estão novamente vendo a luz do sol. Velhas promessas estão sendo lembradas (e cumpridas!), velhas decisões reavaliadas.

O adormecido despertou.


Change your heart... Look around you. Change your heart... It will astound you.

It astounded me.