2005-11-19

Who tied my hands to the wheel?

TTaarrjjaa TUuurruunneennThe Siren (Nightwish)

A lady with a violin playing to the seals
Hearken to the sound of calling


Who tied my hands to the wheel?
The zodiac turns over me
(Come to me)
Somewhere there my fate revealed
I hear but how will I see?



I tied myself to the wheel
The winds talk to my sails, not me
(Come to me)
Somewhere there my fate revealed
I hear but how will I see

A parábola da sereia é fantástica.

Por tempo demais eu venho refreando meus impulsos (I tied myself to the wheel),
uma decisão que se revelou no mínimo infeliz (The zodiac turns over me).

E então eu resolvi dar vazão à alguns destes impulsos (Somewhere there my fate revealed),
uma decisão que está se revelando também não muito feliz (I hear but how will I see?).

As pessoas reagem da forma que lhes convêm (The winds talk to my sails, not me).


Refrear ou disfarçar meus impulsos não me fez bem, e está se tornando uma carga pesada demais para meus ombros. Mas está sendo muito difícil soltá-los de forma controlada e gradual - quem controla a água de um dique que se rompe?

Meu Wille Zur Macht está falando alto demais. É hora de dar-lhe atenção enquanto ainda tenho algum controle sobre ele.

2005-11-18

A dor é inevitável, o sofrimento é opcional

Viver Não Dói

Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas
e não se cumpriram.
Por que sofremos tanto por amor?

O certo seria a gente não sofrer,
apenas agradecer por termos conhecido
uma pessoa tão bacana,
que gerou em nós um sentimento intenso
e que nos fez companhia por um tempo razoável,
um tempo feliz.
Sofremos por quê?

Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer
pelas nossas projeções irrealizadas,
por todas as cidades que gostaríamos
de ter conhecido ao lado do nosso amor
e não conhecemos,
por todos os filhos que
gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,
por todos os shows e livros e silêncios
que gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados,
pela eternidade.

Sofremos não porque
nosso trabalho é desgastante e paga pouco,
mas por todas as horas livres
que deixamos de ter para ir ao cinema,
para conversar com um amigo,
para nadar, para namorar.
Sofremos não porque nossa mãe
é impaciente conosco,
mas por todos os momentos em que
poderíamos estar confidenciando a ela
nossas mais profundas angústias
se ela estivesse interessada
em nos compreender.
Sofremos não porque nosso time perdeu,
mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos,
mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós,
impedindo assim que mil aventuras
nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e
nunca chegamos a experimentar.
Como aliviar a dor do que não foi vivido?
A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!

A cada dia que vivo,
mais me convenço de que o
desperdício da vida
está no amor que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca,
e que, esquivando-se do sofrimento,
perdemos também a felicidade...

A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional.
Carlos Drummond de Andrade

"Viver não dói. O que dói é a vida que não se vive".
Emilio Moura (amigo de Drummond).