2005-08-10

Primeiras Sílabas

Numa de minhas recentes leituras, o autor discorria sobre o processo da formação do caráter infantil - influenciada sobremaneira pela identificação que a criança adquire com um dos pais.

Pensa daqui, pensa dali (e dormir que é bom, necas!!), acabei lembrando de algumas histórias de minha própria infância - que D. Lenita, minha mãe, sempre insistiu em contar a cada uma das minhas namoradas, a alguns amigos e - eventualmente - alguns dos nem tão amigos assim...

Bom, vou abrir concorrência com a mamãe.... :-)


Afirma minha mãe que uma das maiores expectativas da família foi qual seria minha palavra proferida. Seria "Papai"? Seria "Mamãe"?

Eu não lembro quantos meses eu tinha - eu já era grandinho o suficiente para pegar a mamadeira com as mãos e levá-la à boca mas não o suficiente para ficar sem fraldas no berço - mas um belo dia ao me oferecer a "refeição" (uma enorme - do meu ponto de vista - mamadeira cheia de leite), eu catei a mamadeira das mãos dela (normal) e disse:

Bigado!!!

Com ponto de exclamação e tudo!!

Este "bigado" foi dito tão de supetão, de uma forma tão inesperada, que minha mãe disse que tudo o que sentiu um tremendo susto! :-P

Eu diria que este começo de interação social tem realmente a ver comigo : na impossibilidade de agradar ambas as partes, a verdade que eu tendo a desagradar à todas!! :-D


Uma lembrança leva à outra, e a história se repete. Ou não... ;-)

Deste vez é sobre meu filho, Yan, que repousavam as expectativas da primeira palavra. Seria "Mamãe"? Seria "Papai"? Seria alguma outra coisa? ("Cazzo! Será que eu devia policiar melhor meu vocabulário na presença do moleque????")

E os meses se passaram, e o guri mudo.

Até que um dia, em que eu e minha então cônjuge estávamos brincando com o Yan na cama - ele estava sentado sobre minha barriga, enquanto fazíamos brincadeiras para estimular sua concentração e coordenação motora - ele olha pra minha cara e diz, sonoramente e com dicção perfeita:

Papaiiii

Meus caros, o moleque falou até o pingo do "i". 8-)

Eu não vou entrar em detalhes sobre a cara da Sheila no evento (tenho amor à minha integridade física), mas vocês podem apostar seus mouses que minha alegria e orgulho estavam estampados na minha face.

Foi a primeira vez que fui chamado de "pai".