Tempo de calar, Tempo de falar. Tempo...
De todas as coisas que tenho dito, poucas foram tão importantes quanto o que eu não disse: meu costumeiro hábito de ouvir mais do que ser ouvido eventualmente se volta contra mim.
É possível, inclusive, que a motivação principal deste blog seja justamente evitar que coisas que precisam ser ditas sejam esquecidas no escorrer das areias desta gigantesca ampulheta nossa vida.
- Pois tenho sentido sons encantadores emanando de pessoas surpreendentes em momentos inesperados.
- Pois tenho vivido momentos encantadores emanando de pessoas inesperadas através de sentimentos supreendentes.
- Pois tenho estado com pessoas encantadoras em momentos surpreendentes em locais inesperados.
- Pois ainda me surpreendo com encantos inesperados.
Li algo de Lya Luft (acesso restrito. A senha "BOM JARDIM" funciona no momento) que decidi compartilhar com vocês:
A mim seduzem palavras e silêncios, e jeitos de olhar. O formato de uma boca melancólica, ou o baixar de uma pálpebra que esconde o desejo de morrer ou de matar, ódio ou desamparo, hipocrisia, ah, o olhar sorrateiro, o estrábico olhar dos mentirosos.
A mim interessam as coisas que normalmente ninguém valoriza. Porque o real está no escondido. Por isto escrevo: para esconjurar o avesso das coisas e da vida, de onde nos vem o medo, que impulsiona a esperança.
Nas relações amorosas, sou fascinada pela fração de segundo, o lapso mínimo em que os olhares se desencontram e a palavra que podia ter sido pronunciada se recolhe por pusilanimidade, egoísmo ou autocompaixão. E a cumplicidade se rompe e a gente se gente sozinha.
O caminho do desencontro é ladrilhado de silêncios, quando se devia falar, e de palavras quando o melhor teria sido ficar calado: e a gente sabia, ah, sim, sabia. Pior: é ladrilhado de gestos que não foram feitos quando o outro tanto precisava.
E no silêncio o peso da omissão, cumplicidade com o erro, se agiganta.
Um som aveludado que envolve, aconchega e aquece.
Que preenche o mais ensurdecedor dos silêncios,
Mas hesita frente à eloqüência surda da insegurança.
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