Mais do mesmo, mas diferente. Contudo igual.
O Horror... O Horror...
O estupor da (re)descoberta : acordou pela manhã e deu-se conta que tudo estava exatamente igual.
A roupa de cama era diferente, os móveis do quarto não estavam mais no mesmo lugar. Os livros em cima do criado-mudo não eram os mesmos, como não era o mesmo o programa que assistira noite passada. Não fora o mesmo vinho de outrora que lhe afastou a enfandonha vigília, nem o mesmo despertador que interrompeu o escasso repouso.
Não era a mesma a louça por lavar na pia (graças à Deus!!! heheheh), nem os mesmos Cup Noodles sobre o armário. Diferentes congelados no congelador, eram outras as frutas na geladeira. Que também não era a mesma, como era outra a cafeteira que jazia sobre. Um novo grill elétrico repousava sobre o velho forninho.
Contudo, nada havia mudado desde a última vez que acordou pela manhã e deu-se conta de que tudo havia mudado.
A (eterna) desordem do apartamento persiste, reflexo da (eterna) necessidade (insatisfeita) de ter alguém por quem fazer as coisas.
Sente-se, como outrora, desalentado. Sente-se, como outrora, sozinho. Sente que não foi à lugar nenhum. Sente que o tempo esvaiu-se por seus dedos, deixando apenas as lembranças de tudo o que não quer para si.
O que precisa.
O que anseia.
Sente que ainda há muito o que fazer. Sente que precisa recomeçar.
Novamente. Outra vez. De novo.
O Horror do eterno recomeço.
O Horror... O Horror...
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