Tupã está bravo!!
Que fique registrado que hoje, 16 de Setembro de 2004, aproximadamente às 15:10 choveu granizo em Manaus. Há poucos graus da linha do Equador, uma das cidades mais quentes deste país sofreu uma tempestade de granizo respeitável (os granizos tinham de 5 milímetros a quase 1 centímetro!).
Não me lembro de ter acontecido isto aqui antes, e olhem que moro nesta cidade desde 1982 - quando aqui cheguei aos 12 anos de idade.
Entre especulações sobre o Apocalipse, viagens metafísicas sobre a falha da Matrix e o temor pela sobrevivência da lataria da D-20, chego à conclusão de que nada nesta vida é certo; nada nesta vida é imutável... Absolutamente nada.
Nada se perde, tudo se transforma. Lei de Lavoisier aplicada à vida cotidiana.
E enquanto o granizo despencava, eu observava (ou tentava observar) a linha do horizonte: mas nada se via - apenas uma onipresente e fria bruma branca que escondia tudo o que eu conhecia do meu campo de visão. Eu sabia que estava tudo lá, mas por alguns momentos eu tive a sensação de estar, junto com meus chocados colegas de trabalho, numa espécie de Twilight Zone, alguma fronteira absurda onde a metafísica colidia com a física real e palpável.
Surreal é a palavra que descreve como a minha percepção captou os acontecimentos daqueles poucos mas infinitos minutos : deixei meus pensamentos abandonarem a realidade cotidiana para vagarem sem rumo nesta breve surrealidade que se fez.
Myst. Me senti numa das cenas deste fantástico jogo.
E enquanto divagava sobre tudo e sobre nada, completamente absorto naquela surrealidade, vem a chuva que gradativamente sufoca o granizo e dispersa as brumas que nos envolviam.
E a realidade se faz presente na forma de uma caixa d'água, postes e fiação elétrica.
E então voltei ao meu trabalho cotidiano, com a pequena ressalva de que finalmente 10 dias de cabeçadas em C++ renderam frutos e tudo voltou à funcionar como deveria, salvando minha auto-estima e permitindo que finalmente eu começasse a implementar o que realmente interessa.
E cai a ficha: percebi que, depois de um longo e tenebroso inverno, aquela miríade de probleminhas, incertezas e inseguranças decorrentes de uma mudança brusca (e brutal) na minha vida foram ou estão sendo resolvidas.
Tá na hora de correr atrás do que realmente interessa.
Que a chuva caia, como uma luva, um dilúvio, um delírio....
Que a chuva traga alívio imediato.
Talvez Tupã não esteja tão bravo assim... :-)
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