2006-08-22

Um cobertor curto demais

Quando crianças, é comum nos apegarmos àquele cobertor especial. De todos os cobertores do mundo, somente aquele nos aquece da forma que desejamos, é macio como gostamos e tem a cor que apreciamos.

Minha mãe guardou o meu... :-)

Mas crescemos. Chega um dia em que nosso amado cobertor não é mais suficiente para nos aquecer. Ele passa a deixar nossos pés descobertos (e quem dorme gostoso com os pés frios?) ou, se os cobrimos, deixa-nos o coração ao relento (e quem vive gostoso com o coração frio?).

Ele se tornou pequeno. Encolheu...

Cocciuti que somos :-P , nos encolhemos para que nosso cobertor nos aqueça. Dobramos nosso corpo, mente e alma. E depois, atônitos e magoados, não entendemos porque acordamos pela manhã doloridos e mal dormidos - e com cãibras...

E culpamos o cobertor por nossos infortúnios.

Chega um momento em nossas vidas que precisamos simplesmente admitir que fomos nós que crescemos, e que nosso amado cobertor sempre foi do tamanho que é: fomos nós que mudamos, e que a tríplice escolha de aquecer os pés, o coração ou viver com cãibras não é uma imposição da vida - mas de nossa estúpida vaidade.

Tais velhos e amados cobertores simplesmente já não nos servem mais.

Resta-nos guardá-los no armário, e sair em busca de um outro, maior, que seja capaz de aconchegar-nos sem que precisemos dobrar-nos ao meio.


Dedicado àquelas que passam frio.