2006-05-03

Oi, Eu Sou o Zé.

Oi, eu sou o Zé.

Conheci uma mulher fantástica pelo chat da UOL. Engravidei-a. Assumi o filho. Os detalhes não são da conta de vocês.

Vivi com ela aos trancos e barrancos por 5 anos. Os esforços que eu fiz para comprar fraldas e pelo menos dar o leite em pó do guri numa época em que eu estava desempregado ficaram no passado. Junto com a força que a mãe do guri me deu num momento de necessidade e que eu jamais esquerecei... Ou deixarei de retribuir.

Por mais "babaca e mentiroso" que eu seja, eu ajudo quem me ajuda. Até hoje. Apesar de hoje...

Sempre fui covarde. O medo de casar e me comprometer para o resto da vida com uma mulher nunca foi pouca coisa, mas este medo eu venci. Demorei 3 consultas ao obstetra para conseguir coragem de entrar junto com Morganah no consultório. Mas na 4a. consulta, eu entrei lá. Ainda lembro do esforço que fiz para não urinar nas calças...

Reconheço que sinto saudades horríveis de uma época em que eu não tinha tantas responsabilidades quanto passei a ter desde então. Mas se vale de alguma coisa, eu fraquejei, sofri e fantasiei: mas nunca abandonei aqueles que me amavam. É o melhor do que sou capaz.

Peço perdão por não ser esperto o suficiente e por acreditar em ética e trabalho duro. Porque se eu não fosse tão "Zé", não teria ficado tanto tempo morando de favor num apartamento de parentes e usando o automóvel de meu pai. Mas também não estaria aqui...

Ter 36 anos na cara e ser tão dependente não é motivo de orgulho, mas tem seu outro lado... Meu filho estuda num excelente colégio hoje, que eu posso pagar justamente por ainda depender tanto de meus pais. Criar uma criança aqui em Manaus é caro.

Dinheiro foi jogado fora? Sem dúvida. Enchi a cara quando não devia. Viajei pelo interior mais do que devia.

E neste meio tempo vivi meses sozinho no AP tendo como passa-tempo um computador que - pra variar - fora emprestado pela minha irmã mais nova. Quando finalmente as finanças permitiram, confesso que perdi o controle e gastei além da conta.

Mas os DVDs, jogos e o "sonho de todo adolescente" ainda estão lá no meu AP (aliás, no AP da família, né? Afinal sou um adolescente irresponsável de 36 anos...) até hoje. Meu filho brinca com eles eventualmente...

Muito eventualmente, porque ultimamente tenho visto muito pouco meu guri. Minha estabilidade emocional está fortemente comprometida por estar passando por algumas dificuldades profissionais e pessoais por motivos que... falando francamente... me orgulho em guardar para mim mesmo.

Pena não ser um homem tão resolvido à ponto de sobreviver inteiro aos dias difíceis que vivo hoje e, ao mesmo tempo, ser o melhor pai que posso ser ao meu filho.

Espero melhorar a tempo. Até lá, por favor me perdoem. Sou apenas um Zé.