2005-07-26

Sandman - The Dream Hunters

Nada como estar de férias. Estou botando a leitura em dia.

Como não podia deixar de deixar vocês com inveja, regularmente vou colocar minhas impressões sobre o que estou lendo.

Hoje, falo sobre Sandman - Os Caçadores de Sonhos. Seguem palavras de Neil Gaiman:

Enquanto eu me preparava para escrever, li todos os livros que pudesse encontrar sobre a história e a mitologia japonesas. E foi no livro do Reverendo B. W. Ashton, Fairy Tales of Old Japan, que encontrei o conto que o Sr. Ashton chamou de "A Raposa, o Monge e o Mikado dos Sonhos" e fiquei chocado com as semelhanças, algumas quase inquietantes, entre o contro japonês e minha série SANDMAN.

O que vocês vêem aqui não é nada comparado ao livro. Espero que gostem.


"Como encontrar paz?", ele perguntou à mais velha das mulheres.

"Há paz no túmulo", ela respondeu, " e paz momentânea na contemplação de um belo pôr-do-sol."

Ela estava nua, seus seios caíam como sacolas vazias sobre o colo e em seu rosto ela havia pintado a face do demônio.

O onmyoji ficou zangado e bateu impacientemente com o leque na palma da mão.

"Por que não tenho paz?", ele perguntou à mais jovem.

"Porque você está vivo", ela respondeu com seus lábios frios. A mais jovem das mulheres era a que mais amendrontava o onmyoji, porque ele suspeitava que ela não estivesse viva. Era bela, mas de uma beleza congelada. Quando ela o tocava com seus dedos frios, ele estremecia.

"Onde posso encontrar paz?", ele perguntou à mulher que não era jovem nem velha.

Ela não estava nua, mas suas vestes estavam abertas e em seu peito havia duas fileiras de seios, como as tetas de uma leitoa ou de uma rata, os diversos mamilos negros e duros como carvões.

Ela sugou o ar através dos dentes, prendeu-o e, após um longo momento, expirou. Então disse:"[...] Esse homem não tem medo de nada e tem a paz que você deseja. [...] E ele deve morrer sem violência e sem dor, ou a trama se desfiará".



Mas lembrando de tudo que haviam feito um pelo outro, pode-se presumir, agora, que eles fizeram amor. Ou sonharam que fizeram.

Talvez.

Quando terminaram suas despedidas, o Rei dos Sonhos voltou até eles.

Agora, tudo está como deveria ser, ele disse, e o monge se viu dentro do espelho olhando para a raposa.

"Eu teria dado minha vida por você", ela sussurrou suavemente.

"Viva", disse o monge.



"E qual foi o bem que isso trouxe?", perguntou o corvo.

Bem?, perguntou o Rei dos Sonhos.

"Sim", disse o corvo. "[...] Ao atender o desejo dela, que bem fez?"

O Rei olhou para o horizonte. Em seu olhar, uma estrela solitária piscou e desapareceu.

Lições foram aprendidas, disse o pálido Rei. Os eventos ocorreram apropriadamente. Eu não creio que minha atenção foi desperdiçada.

"Lições foram aprendidas?", perguntou o corvo, arrepiando as penas do pescoço e erguendo alto sua cabeça negra. "Por quem?"

Por todos. Particularmente o monge.

[...]

"E você também aprendeu uma lição?", perguntou o corvo, que um dia fora um poeta.

Mas o Rei pálido não respondeu e permaneceu envolto em silêncio, olhando para o horizonte. [...]


Sabem, eu conheço uma raposa...