2005-02-27

Commodities

Outro dia, li no Observatório da Imprensa um artigo interessante sobre a proliferação de comunidades voltadas ao ódio e à intolerância. Decerto que relevante, a triste verdade é que (apesar do veículo hi-tech usado nos dias de hoje) ódio e intolerância sempre andaram de mãos dadas com a História da Humanidde. Klu Kux Klan, Nazismo, Fascimo, Integralismo... You name it.

O que me chamou a atenção neste artigo foi outra coisa tão relevante quanto - senão mais.... O que me deixou realmente aflito foi o que o autor chamou de transformação de relacionamentos e experiências em commodities.


Commodities : substantivo. Mercadoria, produto de consumo, utensílio, objecto.


Que se danem as botas e as faces. Que se dane até quem eu penso que sou e onde. O que este carinha tá dizendo é que meus relacionamentos pessoais, íntimos (ou nem tanto), amorosos (ou pelo contrário) estão se transformando em fonte de renda!!! PROS OUTROS!!

Eu me recuso terminantemente a aceitar que meus amores e minhas amizades sejam reduzidas à reles matéria-prima. Não admito a capitalização dos meus sentimentos. Não admito a prostituição das minhas amizades.

Mas acima de tudo, não admito que botem preço:

  • nas dores que senti
  • nos amores que vivi
  • nas promessas que sussurrei (entre quatro paredes...)
  • nos prazeres que compartilhei (nem sempre entre quatro paredes...)
  • nas felicidades que proporcionei
  • nos afetos que recebi
  • nas saudades que deixei
  • nos carinhos que careço

Meu Deus.... ACORDEM. Não se compra felicidade, gente boa, apenas satisfação.. Não se compra alegria, meus amigos, apenas entretenimento...

A Vida não tem preço, e o (parco) tempo que dispomos aqui não está à venda.